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terça-feira, 26 de julho de 2011

O significado do simbolo da Psicologia, o Psi

            O símbolo adoptado pela Psicologia corresponde a vigésima terceira letra ou à penúltima letra, do alfabeto grego, vindo antes da letra Ómega (fim), cujo significado é PSI. A este prefixo “PSI” adicionou-se o sufixo “QUE” formando a palavra “PSIQUE”, que significa: estudo da alma. A etimologia da palavra mostra-nos que a psicologia surgiu como o estudo da alma: psiché (alma) + logos (razão, estudo). Na etimologia da palavra grega psiché, está a palavra grega psicheim, que significa “sopro” (o sopro de vida ou o sopro da alma), sendo este mais um motivo, para associar aos primórdios do estudo daquilo que nos torna humanos.
No entanto, talvez seja, importante recorrer à mitologia grega, para tentar explicar a utilização do símbolo “PSI” (Ψ maiúscula, ψ minúscula). O símbolo “PSI” é ainda a representação do tridente do deus da mitologia grega, Poseidon, primogénito de Cronos e Réia. É interessante notar, como a mitologia de Poseidon remete à Psicanálise de Freud: Cronos – que, em resumo, havia castrado seu pai, Úrano, a pedido de sua mãe, Gaia, dando origem à Afrodite, deusa do amor – era casado com sua irmã Réia e devorava seus filhos, até o nascimento de Zeus. Também em semelhança à Psicanálise, pode-se argumentar que, na mitologia grega, com a vitória dos deuses do Olímpio sobre os Titãs, o mundo foi dividido em três reinos: as águas e os oceanos, os céus e a terra, e o inferno; cabendo a Poseidon o domínio sobre as águas, os riachos, os lagos e as profundezas dos oceanos. É nestas profundezas que está a associação de Poseidon com a psique do modelo Freudiano, através do complexo de Édipo, descrito na fase fálica do modelo psicanalítico.
O complexo de Édipo é a identificação, com o progenitor de mesmo sexo. Segundo Freud o menino deseja nessa fase ter a mãe só para si e não partilhá-la mais com o pai; ao mesmo tempo, ele teme que o pai se vingue, castrando-o. A solução para esse conflito consiste na repressão tanto do desejo libidinoso em relação à mãe como dos sentimentos agressivos para com o pai; num segundo momento realiza-se a identificação do menino com seu pai, o que os aproxima e conduz, a uma internalização por parte do menino dos valores, convicções, interesses e posturas do pai. O complexo de Édipo representa um importante passo na formação do superego e na socialização dos meninos, uma vez que o menino aprende a seguir os valores dos pais. Essa solução de compromisso permite que tanto o ego (através da diminuição do medo) e o id (por o menino poder possuir a mãe indirectamente através do pai, com o qual ele se identifica) sejam parcialmente satisfeitos.
O conflito vivenciado pelas meninas é parecido, mas menos intenso. A menina deseja o próprio pai, em parte devido à inveja que sente por não ter um pénis (al. Penisneid); ela sente-se castrada e culpa a própria mãe. Por outro lado, a mãe representa uma ameaça menos séria, uma vez que uma castração não é possível.
Freud usou o termo "complexo de Édipo" para ambos os sexos; autores posteriores limitaram o uso da expressão aos meninos, reservando para as meninas o termo "complexo de Electra".
Na realidade o resultado da resolução do complexo de Édipo é sempre uma identificação com ambos os pais e a força de cada uma dessas identificações depende de diferentes factores, como a relação entre os elementos masculinos e femininos na predisposição fisiológica da criança ou a intensidade do medo de castração ou da inveja do pénis. Além disso, a mãe mantém em ambos os sexos um papel primordial, permanecendo sempre o principal objecto da libido
Este símbolo aparece também relacionado com três teorias fundamentais para a psicologia; a teoria comportamental, humanista e cognitiva, reforçado a força do comportamento, do pensamento e da personalidade.
No entanto interessa relembrar que a psicologia só surgiu como ciência no século XIX, com o contributo de Wundt. Até aí, o que se pode considerar hoje como psicologia estava no âmbito da filosofia, no entanto desde cedo que o Homem se interroga acerca do mundo que o rodeia, mas também acerca dele próprio. Questões filosóficas como: "O que é o Homem?", "Qual o papel do ser humano no mundo?" e "Porque é que existe o bem e o mal?" podem ser consideradas como os primórdios da psicologia.
Genericamente, a psicologia enquanto disciplina científica é definida como a ciência que estuda os comportamentos e os processos mentais. O comportamento é algo que fazemos, é uma acção que podemos observar. Os processos mentais são experiências internas e subjectivas que inferimos do comportamento: sensações, percepções, sonhos, lembranças, pensamentos, crenças.
São estes os novos objectos de estudo da psicologia que lhe conferem o estatuto de ciência. Assim sendo, o correcto, será creditar a escolha da letra PSI às origens da palavra psicologia, que surge entre os anos de 1530 e 1590, seja na obra perdida do humanista croata Marko Marulić, Psichiologia de ratione animae humanae – da qual resta apenas a menção numa listagem de obras por um contemporâneo seu – ou na obra Yucologia hoc est de hominis perfectione, anima, ortu, do lexicografo alemão Rudolph Göckel.
Remetendo-nos ao século XVI para descrever estudos filosóficos da alma, a palavra psicologia só vem a tornar-se usual na Alemanha e na França no século XVIII, e na Inglaterra no século XIX, o termo psicologia, oriundo das palavras gregas ψυχή (psiché, alma) e λόγος (logos, estudo/saber), em substituição às palavras “estudo da alma” nos tratados académicos europeus que deram origem ao estudo da Psicologia enquanto ciência independente, faz sentido a escolha da primeira letra grega que forma o termo psicologia para ser o símbolo desta ciência.
 Hoje, o símbolo “PSI” representa o tripé que sustenta a ciência do comportamento nas suas três vertentes: A corrente comportamentalista, a corrente psicanalítica e a corrente humanista.

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